Arquivos Diários: Setembro 29, 2008

And Wystan, submissive, felt unwanted and went out.

Faz hoje trinta e cinco anos que morreu W.H. Auden, sozinho e amargurado, em um hotel em Viena. A notícia se espalhou como uma bomba entre a few thousand. Chester Kallman encontrou seu corpo pela manhã e nunca mais se recuperou do choque. Hannah Arendt lamentou não ter entendido nem aceitado o pedido de casamento e de socorro que ele lhe fizera três anos antes. Christopher Isherwood, seu mais antigo amigo, foi acuado por um microfone da BBC enquanto se acabava em lágrimas. Bruno Tolentino recebeu a notícia de sua morte - ”aquele horror sem cabimento”, escreveria - em um aeroporto quase deserto.

Pois foi bem hoje que terminei de ler a maravilhosa biografia “Auden”, escrita por Richard Davenport-Hines. Coincidência das brabas ou não, é um daqueles sinais que o próprio Auden não desprezaria.

Bonde do soneto

Vai, calça da Gang, vai até o chão:

cá neste baile suado, lotado,

admiro-te a dançar bem ao meu lado,

à batida violenta do pancadão.

 

Vem, tchutchuca, olha aqui o teu tigrão:

cheirarei teu cabelo oxigenado

beijarei teu rosto purpurinado,

a fim de sentires toda a pressão.

 

Se danças, também eu hei de dançar:

mas eis que vem a sujeira chegando

e antes que a polícia nos arranque

 

o couro, melhor é logo escapar…

Já que não posso mais te ver dançando,

em forma de soneto compus um funk.